Vivendo na Espanha – curiosidades

Viver na Espanha tem seus problemas e coisas boas. Tem gente que mora sozinho em apartamento, ainda que normalmente rache com alguém para diminuir os gastos. Essa é, inclusive, uma prática extremamente comum até com gente que já não estuda, já que o aluguéis são sinceramente caros. Tem gente que busca lugar em residências universitárias, o que é uma solução prática para ter um all-in-one por uma taxa única, com almoço e/ou jantar e roupa lavada. Há também, inclusive, programas de dividir residência com idosos, vivendo em sua casa em troca de fazer companhia. E claro, o bom e velho programa de viver com uma família local, mais comum com estudantes de segundo grau, que não podem ficar sozinhos pela condição de menores.

Bem, como mencionei nos posts anteriores, fiquei com essa última opção, mas não através de um programa de referência. Fui convidada por Pilar a morar na casa dela, em Toledo, a 70 km de Madri. Pili é uma menina muito doce e durante meio ano estivemos trabalhando nos preparativos, porque ela vive com os pais e dois irmãos mais velhos, e ainda tem uma penca de família que vive vindo e saindo. Estava nervosíssima que eu fosse achar tudo desarrumado e horrível e que não ia me adaptar a viver com sua família. E eu, nervosíssima que fossem me odiar, me achar feia, chata e burra e que me tacassem no olho da rua, ou que realmente os santos não batessem na casa e ficasse insuportável. Foi um tiro no escuro… mas a vida é feita de alguns riscos.

E um mês depois a vida está ótima por aqui. Fui supermega bem-recebida, sou bem-tratada e até meio mimada. Por sorte ou conjunção astral, sua família lembra muito a minha, e são muito unidos. Os irmãos são umas figuras, e apesar de todo muito estar meio tímido a princípio agora já me tratam com bastante naturalidade. E como eu adoro ambiente familiar, com cachorro, gato, papagaio e bicho-da-seda (as crianças criam bichos da seda aqui!!), me encantou a simplicidade e o carinho que me dedicam e com uns aos outros.

Agora, o mais legal é observar hábitos de uma família espanhola normal, e sinceramente me divirto. Vamos ver alguns:

Pão: É tiro e queda: toda refeição tem pão acompanhando, pra comer junto e para raspar o prato depois (o que é uma grosseria fora de casa, mas comum dentro). E não é um pãozinho francês não: normalmente se compra uma “barra”, um pão comprido, de massa parecida com o francês, e se tira um pedaço pra comer junto com a refeição. E café da manhã se comem tostadas, esse pão na chapa.

Azeite: Aqui no armário de casa tem trocentos tipos de azeite diferentes. Muitos espanhóis comem tostadas com azeite, em vez de com margarina ou manteiga. E já escutei alguém reclamando que tal azeite usado pra colocar na salada não era virgem, extra-virgem ou não sei o quê. Olha, pra mim azeite é azeite, coloco na pizza e tô feliz. Só que quando teve pizza e eu pedi azeite, eles ficaram me olhando com cara de “você é doida?”.

Pizza: Não se coloca azeite na pizza. Nem ketchup, mostarda ou maionese. Pizza é pizza e acabou.

Horários: A manhã espanhola vai das 8-9 às 14 horas, quando é hora do almoço. Às 16h o comércio volta e fica até às 20. As pessoas costumam jantar às 21-22 e vão dormir às 23 ou meia-noite. E não procure lojas abertas entre 2 e 4 da tarde, você não vai encontrar. Só lojas grandes e algumas lojas de chino (que são 1,99 que têm de tudo, mas de tudo MESMO). Galera fecha geral o comércio pra comer e tirar a sesta.

Sesta: É sagrada pra quem tempo pra tirá-la. É sagrada nos fins de semana. É sagrada.

Jamón serrano: Jamón significa presunto, mas pode esquecer o Sadia daí. Jamón serrano é uma das coisas de origem animal mais gostosas da face da Terra. E eu costumo evitar comer carne, mas jamón serrano, amigo, pode botar mais.

Vinho de caixinha: Você leu certo. Os vinhos de qualidade mais ou menos muitas vezes são vendidos em embalagens longa vida. Esses vinhos são para o dia-a-dia, ou pra colocar na comida. Aliás, romã com vinho branco é uma delícia.

Meninas em roupas fluorescentes para a night: Vi uma de rosa-choque-meus-olhos-ardem com uns saltos de 15 centímetros, e outra com estampas de onça, zebra e tigre juntas. E com o salto. Enquanto ainda havia luz do dia. Sem exagero.

Banheira: Banheiras são hiper-comuns por aqui. Na verdade, caro mesmo é chuveiro elétrico (!!!). A maioria das casas tem calefação e por isso a água esquenta por gás, não por eletricidade. E como dizem os espanhóis, banheiras são práticas para lavar crianças. Pilar ficou de cara quando eu disse que banheiras no Brasil são mais comuns em casas antigas, e que eu mesma nunca tinha tomado banho em uma.

Quando eu for percebendo mais coisas, vou anotando. Porque gente, tem é coisa. Você fica bastante admirado como pode ser tão parecido e tão diferente ao mesmo tempo. Vou tirar umas fotos do mercado!

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Um mês, um mês…

Uau, acabei de superar minhas próprias expectativas: cheguei aqui há um mês e nem contei nenhuma das novidades. Nunca mais vou reclamar das minhas amigas que foram pro exterior e não atulizaram seus respectivos blogs!

Enfim, este primeiro mês em solo espanhol foi muito tranquilo e estou me adaptando bem, creio. Vou separar algumas das coisas que vi e fiz em posts e ir colocando. Tirei milhares de fotos já (sem exagero: já deve ter umas 2000), principalmente de obras arquitetônicas e seus detalhes preciosos, para servir de referência visual e para compartilhar com meus colegas do Brasil. Cada coisa bonita que nem te digo.

Como disse no outro post, Toledo é uma cidade medieval, e isso a torna diametralmente diferente de qualquer coisa que se veja no Brasil. Nos primeiros dias eu andava pelas ruas, becos e vielas com aquele brilho nos olhos de quem está descobrindo um mundo novo, e estava. Cada pedra tem história, uma história que remonta há milhares de anos, e por isso é encantador. Não vou negar em absoluto que estou apaixonada por essa cidade tão pequena, mas tão acolhedora. E, contrariando os estereótipos, achei os toledanos muito simpáticos! Me disseram que no resto da Espanha eles são considerados rancios (mal-humorados) mas todos os que tive contato são educados e te ajudam com o que você precisar, além de ter bom-astral. Não sei se por ser uma cidade altamente turística; contam bastante da simpatia dos baianos e dos cariocas, mas o mau-humor dos paulistas já é lendário! (estereótipos, estereótipos…)

Minha vida na casa tá linda, obrigada. Já fui prontamente adotada pela família de Pilar, que é uma figura, e estou comendo e dormindo muito bem. Sinceramente, acho que estou comendo muito melhor aqui que em casa. É verdade que não há as mangas brasileiras (as daqui são saborosas, mas parecem uns ovos de dragão em forma, tamanho e cor. E são caras) nem tem jaca, graviola, umbu, caju, etc; mas comi a melhor paella do universo e descobri que adoro romã, uma fruta que sempre fui doida pra provar. E dona mãe de Pili faz cada comida boa…

Andei feito uma cabrita por Toledo e Madri, e cansei, mas nem notei. Toledo tem milhões de igrejas, enquanto que Madri tem várias galerias e museus. Vou olhar cada uma dessas coisas. E te digo, gente, vou reservar um post só pra Catedral de Toledo, se conseguir encontrar palavras. Estudantes de arte, duas palavras: catedral gótica. Pilar ficou olhando pra minha cara toda hora pra ver minha expressão maravilhada.

Comecei a faculdade do início deste mês e pro enquanto está tudo bem. Ela é enorme, gigantesca. Rosa, que estudou lá, me levou de tour em Madri e pela universidade. É verdade que tudo é plano, não tem a Escadaria do Santuário (piada interna para estudantes da UFBA), mas é espalhado. Andar da faculdade de História pra de Belas-Artes, por exemplo, não leva menos de 15 minutos, a passo rápido. A vantagem é que tem ônibus pelos campus inteiro e a esmagadora maioria dos estudantes tem passe mensal, assim que o deslocamente é feito por ele. Também há uma estação de metrô. Na verdade, o campus é um bairro normal, com os prédios das faculdades, mas encontrar prédios normais é uma luta… no máximo você vê residências universitárias, óbvio.

Enfim, mais virá nos próximos dias. Está esfriando, então creio que tomarei mais gosto por espaços fechados – e com internet – com alguma frequência mais. E ah!, postarei fotos!

Besitos a todos!

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Toledo!

POR FIM!

Depois de uma viagem longa e estressante de quase 24 horas (contando traslado e espera nos aeroportos do Rio e de Paris), finalmente cheguei na minha casa da Espanha. E encontrei duas lindas amiguinhas, super-espanholas, me esperando.

Pilar (Pili) já conheço há algum tempo – vive em Toledo, uma cidade próxima a Madri, e me convidou a viver em sua casa durante esse ano. Apesar da distância entre Toledo e Madri, o tempo que levarei de casa à universidade será mais ou menos o mesmo que levo no Brasil, onde também vivo numa cidade vizinha à capital. Ela é uma pessoa extremamente querida, fofinha e…. baixinha! Não deixo de perturbá-la toda hora por isso (eu tenho 1,80m, e ela, apenas 1,60m – e sei que a estranha sou eu, mas nao posso deixar de tirar sarro, óbvio)

A outra é Rosa, amiga de Pili de muitos anos, e que nos últimos meses também se tornou minha amiga. Roqueira assumidíssima, de cabelos vermelhos pintados e muito alta também (Pili é TÃO pequena!), obviamente chamou minha atenção quando cheguei ao aeroporto de Barajas. Na verdade, Pili é tão baixinha que poderia passar por ela várias vezes e não notaria (sim, chica, eu sei que você está lendo. É de propósito XD)

Quando cheguei, obviamente estava nervosíssima – não conhecia nem Pili nem Rosa pessoalmente ainda. Estava levemente enjoada, apesar de não ter comido quase nada. Mas depois de vê-las relaxei enormemente e a barriga roncou. Dica: Barajas é enorme e tem várias lojas bonitas, mas não tem um único maldito banco para que se possa sentar e descansar. Sentamos em degraus perto de janelas e junto a pilastras para dar um tempo e comer em paz, antes de inicar a maratona pelo metrô de Madri para pegar o trem para Toledo. Andar por aí com três malas não é legal, principalmente quando nos perdemos ligeiramente. É cansativo!

Ao chegar em casa (parêntesis: a estação de trem é maravilhosa) fui super bem-recebida. Meu quarto é amplo e tem muitos lugares pra guardar as coisas, o que eu ainda estou fazendo, a propósito. Depois de chegar, jantamos e saímos a passear por Toledo à noite.

Toledo é uma cidade preciosa. Sinceramente, não me lembro de ter me encantado tanto com um lugar como com esse. É uma cidade medieval, que já foi conquistada pelos árabes e é conhecida como “a cidade das três culturas”, em referência à mescla moçárabe, judia e cristã. E isso fica claro no estilo arquitetônico, nas ruas estreitíssimas de pedra, truncadas e cheias de becos que podem fazer com que você se perca rapidamente, e que desembocam em adoráveis praças e mirantes. A parte antiga, onde moramos, tem muito pouco movimento à noite; os turistas ficam na parte nova da cidade. Assim que andamos pelas ruas iluminadas por lanternas em estilo antigo, falando baixo, e muitas vezes sem nenhuma alma por perto, encontrando ruas e mais ruas e becos e mais becos, cada um mais lind oque o outro. É quase mágico.

Chegamos em casa à meia-noite, e dormi feito uma pedra. Hoje pela manhã fomos comprar um celular (porque segundo Pili “você não vai à Madri se eu não tiver um modo de te localizar!!” – bem, eu já ia comprar mesmo) e aproveitamos para passear um pouco pela cidade durante o dia. Entramos em uma parte da catedral de Toledo… e no momento simplesmente não tenho palavras para descrever a beleza daquele lugar. Domingo devemos ir ali para visitá-la inteira (é grátis a entrada aos domingos) e então farei um relato mais completo. Mas posso dizer que Pili fica rindo da minha expressão a todo momento, divertidíssima. Simplesmente preciso de ajuda pra colocar o queixo no lugar *capiau feelings*

Meu tour por Toledo seguirá até o fim de semana, porque na semana que vem começo o tour por Madri – conhecer a cidade, a universidade, e tudo mais. Mas esta cidade é tão mágica que duvido que poderei ser vista em casa muitas vezes, à noite. Duvido muito.

 

(Tá um calor do cão aqui!)

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Com que roupa?

Agora que faltam 15 dias (nossa, já?) e os documentos estão em ordem, chegou o momento de proferir aquela pergunta. Aquela perguntinha que já virou música, com o incrível poder de confundir as mulheres e aterrorizar homens… e confundir e aterrorizar viajantes iniciantes. É chegada a hora de entrar no quarto, abrir as portas da sabedoria e dizer para si mesmo:

– Com que roupa que eu vou?

Que arrumar mala é um negócio chato, não há como negar. Você perde preciosos minutos que seriam melhor empregados lendo, jogando videogame ou dormindo para organizar suas roupas, presentes, livros, etc. dentro de um espaço limitado. E todo mundo sabe que, se o volume total de objetos que você tem é X, o volume da sua mala será X – 10 cm³, tornando o ato de pular sobre a tampa – normalmente uma ideia estúpida – algo necessário e extremamente recomendável.

Pois eu sou uma daquelas pessoas estranhas que detesta começar arrumação, mas depois de começar, não pára por 3 dias. E foram 3 noites de deliberação sobre as peças de roupa que levarei. Olha, eu tenho muita roupa, ainda que não use a maioria; isso é bom porque evita que eu me fie em comprar roupas em paragens desconhecidas (leia-se: comunicar-me com atendentes e discutir números e cortes claramente distintos do que estou acostumada). Só que tem muita coisa que ficaria muito bem lá, mas também queria levar coisas confortáveis daqui, e esse vestido combina com esse sapato, e nossa! como eu engordei, e todo esse blá blá blá que, detesto admitir, é muito feminino…. mas muito necessário. Sim, pessoas que me conhecem pessoalmente, tenho níveis saudáveis de vaidade porque não é sempre que gosto de andar estrumbicada.

Enfim, o primeiro passo foram as roupas de frio. Apesar de morar em Salvador, temos um estoque respeitável de roupas quentes, guardadas da época em que morávamos em Curitiba (na Era Glacial). As roupas da minha mãe são bem quentinhas, e comprei/herdei suéteres, segundas-peles e meias-calças – que são o que de fato esquentam no perrengue. E na pior das hipóteses, a amiga com quem vou viver lá me assegurou que há sobretudos e casacos mais quentes que ela pode me emprestar. Assim que joia.

Também comprei moletons porque a equação frio + ficar em casa e/ou hora de dormir só funciona com moletom.

Agora as roupas comuns. Esse é o galho. Vou passar 1 ano lá – e é um período de tempo considerável.

Solução: peguei tudo e taquei. O que coube, “cabeu”. O que não coube, saiu.

Lei da selva, amigos.

Agora só tem de sobrar espaço pros 4500 vestidos, e aí tô pronta pra arrasar. Porque eu fico bem de vestido e preciso aproveitar isso de vez em quando. Aí acabou, depois de conseguir enfiar os livros de estudo indispensáveis, os materiais que arte que obviamente custarão metade do preço que paguei aqui e vou morrer de ódio, e os sapatos, que não vou nem comentar os critérios de seleção pra não chorar por não poder levar todos. Porque vou levar um tênis legal, um all star (NÃO VOU ME SEPARAR DO MEU ALL STAR LINDO DESENHADO), e ainda quero um sapatinho de sair, um chinelinho assim, uma sandalinha assado, aquela maldita sapatilha chinesa que levei meses pra encontrar, outra sandalinha que é uma graça e mais uma sapatilha que minha avó vai me dar de aniversário. E sapato, como todo mundo sabe, é pra cobrir o pé e combinar com o máximo de roupas possíveis. É, estou sofrendo.

Se couber na mala, cabeu.

Se não… quem precisa levar documento? ;D

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Fui à Espanha, buscar o quê?

Algumas pessoas me perguntaram qual o motivo do blog ter esse nome, e ser dessas cores, já que as cores nacionais espanholas são o amarelo e vermelho. Outras entenderam rapidamente e riram, mas foram muito, muito poucas. E a maioria não entendeu nada, só balançou a cabeça e deixa pra lá, que ela é meio doida.

Mas o real motivo eu vou contar: quando eu era pequena, minha mãe cantava muitas cantigas de roda. E uma delas – uma das que eu mais gostava – era a “Fui à Espanha”, que fazia um gracioso pout-pourri com “Caranguejo peixe é” e “Samba crioula”. Me lembro de uma vez em que andávamos até a casa do meu avô e, ao ver o raro céu azul sem nuvens de Curitiba, comecei a cantar e a correr olhando pro céu. Levei um belo de um tombo, mas ficou na memória afetiva (e na cicatriz no joelho).

Quando me ocorreu abrir o blog, não tive dúvidas sobre qual seria o nome. Além da óbvia referência ao país, tem um significado. Ir a outro país buscar um chapéu da cor do céu azul e branco? Metáfora para procurar algo bonito, talvez? Ou buscar a própria mente fugidia? Ou buscar o próprio céu? Não sei. Tudo muito poético, tudo muito tumblr talvez. Não se pode mais ter reflexões pensadas alto fora das redes sociais…

Mas eu fico com o “não sei”. Porque se você não sabe pra onde está indo, qualquer caminho serve. Para o bem ou para o mal.

Segue a música. Ignorem o vídeo em si, por favor; só escolhi porque tem a versão completa da cantiga, incluindo partes que não conhecia, e o melhor áudio (todos os outros eram de crianças fofas e redondinhas cantando!)

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Playlist – Ida

Ando pensando, já há muito tempo, no que seria uma playlist ideal para a viagem. Não uma pra me distrair no avião, mas uma que tivesse um significado pra ida. Com músicas que realmente quisessem dizer alguma coisa para e sobre mim e essa aventura. Músicas que me inspirassem. E que me fizessem lembrar sempre do meu caminho.

Porque a única coisa que me acompanha mais que a música é o silêncio.

Até agora, organizei essas, mas posso lembrar de mais (bonus tracks!):

1. New Perspective – Panic! At The Disco

2. O Mundo – Capital Inicial

3. New Soul – Yael Naïm

4. I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance with You – Black Kids (essa é parte de uma piada interna, hahaha!!)

5. All I Wanna Do – Sheryl Crow

6. Fold Your Hands Child – Cobra Starship

7. Stepping Along – Fullmetal Alchemist Brotherhood OST

8. Eu Não Sou da sua Rua – Marisa Monte

9. Blackbird – The Beatles (Glee version)

11. Nantes – Beirut

12. Hand in my Pocket – Alanis Morissette

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Fases do processo

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Visto!

Haaaaaa! Acabo de voltar do Consulado com meu visto na mão! E – assumindo a designer – achei esteticamente horrível. Acho que fiquei mal-acostumada depois de ver os do Canadá e dos EUA, plastificados, coloridos, holográficos e brilhantes (o do Canadá tem até a polícia montada em holografia!). O da Espanha é de papel e é verde-exército, super sem-graça.

De todas as formas, quando fui pedir informação pra moça sobre regularizar minha situação no Escritório de Imigração da Espanha, ela só soube dizer que era pra eu levar todos os documentos que eu havia entregue lá (e que ela me devolveu com o carimbo do Consulado) e pedir o visto de um ano. Perguntei como era o procedimento, se era ordem de chegada ou tinha de marcar, e se nesse caso poderia ser por telefone, se demorava, etc.

Ela se limitou a dizer que no aeroporto explicariam. Provavelmente. Hm. Bem, no aeroporto, um oficial de imigração espanhol provavelmente mal-humorado (ouvi alguns boatos sobre o humor dos madrilenhos…) explicará em castelhano a uma brasileira que haverá passado as últimas 24 horas em trânsito aéreo passando por 2 cidades além da origem e do destino quais os procedimentos de legalização.

Me chamem de chatonilda e dramática, mas seria muito mais fácil se o pessoal do órgão representativo da Espanha no Brasil já soubesse informar tudo, não?

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Documentação para o visto

Sabem quando eu disse ali embaixo, no primeiro post, que este blog não ia ser utilidade pública, que já existiam vários sobre isso e eu sequer ia mesmo morar na Espanha, apenas passar um ano, e por isso não me achava com conteúdo? (não, eu não disse isso, mas pensei) Pois é, eu menti.

Ok, o principal motor desse blog não vai ser de “utilidade pública”, mas não significa que minahs impressões pessoais não possam ajudar. Afinal, quem pena as coias tem história pra contar. Não muita autoridade, mas posso dizer do que vi e vivi.

Por isso vou falar do processo de obtenção do visto de estudante, porque entreguei os documentos finais hoje. E a não ser que aconteça uma desgraça e meu visto seja negado, e depois de morrer ódio ressucite para passar uma temporada de férias maravilhosa na Espanha (estou de passagem comprada, sabe), é o necessário pra dar entrada em visto estudantil  a partir do Brasil.

Para ir à Espanha, ou para qualquer país do signatário do Tratado Schengen (que é um tratado que regulariza a situação de viajantes não-pertencentes à UE, e que nem todos os países da UE assinaram – por exemplo, a Inglaterra) como turista, não é necessário pedir visto. Entenda um turista uma pessoa que vai passar até 3 meses no Espaço Schengen (ou seja, nos territórios dos países signatários) sem realizar nenhum tipo de atividade laboral ou estudantil. Ou seja: vai apenas passear, tirar fotos e comprar souvenirs, thank you very much.

Apesar da aparente facilidade e da volta que você dará na terrível burocracia, certamente você terá um problema, turista: como não é necessário que você peça permissão para entrar no país alheio, ou seja, vai sem nenhuma garantia, as autoridades de Imigração podem pensar que você está querendo ficar como ilegal. A maioria dos ilegais que moram na Europa chegam com visto de turista. Daí você tira a brutalidade dos agentes de Imigração de Barajas: Madri é o principal porto de entrada de imigrantes ilegais vindos da América Latina, dos quais uma parte realmente considerável é brasileira. Claro que eles são uns paranoicos e mandam de volta turistas inocentes, mas se você for ver a quantidades de ilegais que entram em um país já em crise entenderá pelo menos uma parte dessa obsessão. Por isso é importante ter em mãos todos os documentos que te indicarem, como passagens de ida e volta, reservas de hotel (ou carta-convite da pessoa que te acolherá), passaporte válido (óbvio), pelo menos 600 euros em conta/cartão de fácil acesso, ou em metálico; e, se possível, comprovante de que você tem vínculos laborais e/ou estudantis com o Brasil, pra provar que não tem a intenção de ficar.

Já pro pessoal que vai pra estudar, a coisa muda de figura. É necessário buscar um visto de estudante, permite o trânsito por todo o Espaço Schengen. E qual a primeira coisa que você faz? Ir até o Consulado (que, em Salvador, fica no bairro do Canela. Sabe o Bompreço dali do lado da Escola de Teatro da Federal, na rua do antigo Marista? Pois é atrás do Bompreço). Lá vão te dar o papel com uma relação dos documentos necessários para solicitar o visto, que está meio desatualizado, e pedir informação com funcionários nem sempre muito coerentes…

Enfim, para pedir o visto de estudante para a Espanha, você vai precisar apresentar, em ordem, o original e a cópia dos seguintes documentos:

  • O formulário de solicitude de visto no Espaço Schengen, que vem junto com a relação de documentos
  • Passaporte válido  por todo o período de vigência do visto, pelo menos. As cópias devem incluir todas as páginas em branco também.
  • Carta de aceite do órgão no qual você vai estudar, seja universidade, escola, curso de idiomas, etc. A carta deve estar em papel timbrado, em língua espanhola, e deverá conter todos os dados de identificação e contato do órgão, além das datas de início e término do curso. É possível fazer a solicitação do visto sem ter a carta de aceite original, apenas com ela digitalizada, mas nesse caso eles pedem que você a providencie o mais depressa possível, ou não recolherá sua permissão.
  • Certificado de antecedentes criminais, para cursos com duração superior a 6 meses. Não pode ser aquele tirado da Internet, nem o do SAC; tem de ser requisitado na Polícia Federal, com protocolo e assinatura da autoridade responsável. Sem isso, nada feito. (alguns países exigem até o reconhecimento de firma do policial que assina, pode?)
  • Atestado Médico, cujo modelo vem com a relação dos documentos. A firma do médico precisa ser reconhecida em cartório. (apenas para cursos de duração maior de 6 meses)
  • Seguro de viagem. Para entrar na Espanha você precisa de um com cobertura mínima de 30000 euros. Normalmente você pode entrgar seus documentos todos e só apresentar este na hora de buscar o visto, já que este é o documento mais complicado de pegar (já que envolve pesquisa, etc)
  • Comprovante de matrícula (no caso de universitários) ou diploma
  • Plano de estudos/formação/investigação: isso é necessário apenas para pós-graduação. Estudantes de idiomas e granduandos podem ignorar este tópico.
  • Autorização dos pais/responsáveis, reconhecida em cartório, no caso de menores de idade
  • Disponibilidade financeira: você precisa provar que pode se manter lá, já que não é permitido trabalhar com visto estudantil na Espanha (apenas se for dentro da universidade). Para isso, você precisa apresentar uma cópia de cartão internacional no seu nome com saldo que cubra pelo menos 1/3 da sua estância. Eles calculam um mínimo de R$ 1500 por mês, assim que se você for passar 3 meses, precisa de pelo menos R$1500; seis meses, R$ 3000; um ano, R$6000, etc. Travelmoney são aceitos, mas apenas com um documento que comprove que ele é seu ou de algum familiar (já que TM não vem com nome)

Também é necessário um documento assinado (e reconhecido em cartório) por um familiar que se responsabiliza por te enviar dinheiro do Brasil para financiar sua estância, e de um atestado de ideoneidade do banco que também inclua o valor anual médio que há na conta desse familiar. Talvez seja também necessário os extratos dos últimos 4 meses da conta dessa pessoa.

Se for beneficiário de bolsa de estudos, mostrar justificantes. Emails não são válidos.

  • 2 fotos 3×4
  • Comprovante de residência
  • Pagamento de uma taxa de R$136,75. Leve o dinheiro contado (pessoa aqui teve de pedir 20 centavos pra completar certinho, hehe)

Se você for ficar por mais de 6 meses, ainda terá mais uma dorzinha de cabeça: tirar o NIE ao chegar. O NIE é o RG dos estrangeiros na Espanha. É necessário ir logo fazer isso, porque sem ele, seu visto é válido por apenas 3 meses.

IMPORTANTE: Alguns cursos que duram menos de 3 meses não orientam os alunos a fazer o visto de estudante, já que está dentro do tempo permitido para turista. Na maioria dos casos basta apresentar os comprovantes/carta de aceite do centro de estudos na Imigração e eles aceitam de boa. Mas é preciso levar em conta que se você vai pra estudar, não está indo de turista. Se os agentes da Imigração encrencarem, eles vão ter certa razão. Por isso, eu recomendaria, pelo sim, pelo não, fazer o visto estudantil mesmo que vá passar pouco tempo estudando lá. Já soube de gente que foi barrada em Madri, vinda de outro país do Espaço Schengen, por conta dessa incongruência. Atenção.

Bom, espero que isso possa ajudar um pouco, ou pelo menos ajudar a quem já quer ir agitando as coisas antes de ir no consulado. Nos vemos em breve, enquanto eu pacientemente aguardo meus 30 a 45 dias para me ligarem e chamarem pra buscar meu passaporte lindamente “vistado”…

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Visto, uma missão quase impossível

Pois é, essa ceninha aí foi completamente real. E é basicamente o pior inimigo dos futuros intercambistas, além da incerteza, do medo de morar longe e da falta crônica de dinheiro: a burocracia.

Pra conseguir mandar os documentos através da universidade pra requerer a carta de aceite já foi uma novela. Era um nervosismo que só. Nem imaginava que era tudo um ensaio para a solicitação do visto estudantil, que precisa de tudo com cópia e com vários documentos aprovados em cartório, atestados com modelo para instituições que já têm seu próprio modelo, aprovações em língua estrangeira, etc etc etc zzzzz. E como os cursos começam normalmente em setembro (o meu é 1º de outubro) , essa época é que a de maior movimento de requisição de vistos, o que torna os resultados disponíveis do deferimento ou não do visto de 30 a 45 dias… pra matar um do coração.

Ah, e isso porque o Consulado Geral da Espanha em Salvador agora só aceita 15 vistos por dia! Hard, irmão… burrocracia é hard. Mas vamos sobreviver!

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